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Bolsonaro dá 'freio de arrumação' na ala ideológica




As mudanças feitas pelo presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, cercando-se de militares, provocaram desconforto em parte do meio político e também na chamada ala ideológica do governo. O presidente fez mais uma mexida nesta sexta-feira na equipe nomeando o vice-almirante da Marinha Flávio Augusto Viana Rocha para a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), que passa a ser vinculada diretamente à Presidência. Além disso, a SAE ganhou a atribuição de assessorar o presidente em questões de política externa, esvaziando as funções de Filipe Martins, auxiliar de Bolsonaro ligado ao ideólogo de direita Olavo de Carvalho, que deixa de ser reportar diretamente ao presidente.


Uma pessoa próxima a Bolsonaro afirma, reservadamente, que o presidente está fazendo uma espécie de “freio de arrumação” na área externa, por julgar que havia uma ideologização em excesso no setor. De acordo com essa fonte, Bolsonaro já havia demonstrado insatisfação com Martins, entre outros integrantes da “ala ideológica”, nos últimos meses. A área, porém, não deve sofrer uma guinada, visto que o presidente aprecia o trabalho do ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Martins é próximo de dois filhos do presidente: o vereador carioca Carlos e, principalmente, do deputado Eduardo.


Nesta semana, Bolsonaro anunciou que o general Walter Souza Braga Netto será o novo titular da Casa Civil, substituindo Onyx Lorenzoni, que irá para o Ministério da Cidadania. Assim, as quatro pastas no Palácio do Planalto passam a ser ocupadas por três generais das Forças Armadas — Braga Netto, Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) — e um major da reserva da Polícia Militar do Distrito Federal, Jorge Oliveira (Secretaria-Geral).


Principal referência da ala que sai enfraquecida, Olavo de Carvalho afirmou que o Exército “não tem presença na sociedade”, mas minimizou a militarização do Planalto. No início do governo, o escritor promoveu seguidos ataques a generais do governo.


— Se você pega um cara do Exército e põe num cargo qualquer, ele não está exercendo uma função militar. Aqui nos EUA, todos os presidentes e todos os ministros têm carreira militar (exceto Clinton e Obama) — afirmou, acrescentado: — Eu fico feliz com a participação do Exército na vida política e social porque o Exército brasileiro não tem presença na sociedade. Eles vivem encostadinhos no canto deles e viram pessoas tímidas.


Agora os militares estão presentes, estão participando da vida social. Acho ótimo, tem que colocar mais militar, encher de militar.




(Amanda Almeida)


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