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Pressionado a disputar prefeitura de SP, Haddad acumula derrotas no PT



Um ano e quatro meses depois de obter 47 milhões de votos no segundo turno da eleição contra Jair Bolsonaro, Fernando Haddad não conseguiu converter o capital político acumulado nas urnas em poder dentro de seu partido, o PT. No período, o ex-presidenciável sofreu uma série de derrotas nos embates internos, viu a legenda se desviar dos posicionamentos que considerava mais adequados para enfrentar o atual governo e agora sofre pressão para assumir a candidatura a prefeito de São Paulo, o que está fora de seus planos.


Além disso, a deputada Gleisi Hoffmann (PR), com quem teve desentendimentos durante a campanha presidencial, foi reeleita para comandar a sigla por mais quatro anos. As dificuldades de Haddad com o PT ficaram evidentes com a negativa para que seus aliados ocupassem postos na nova direção do partido, que tomou posse em janeiro. O ex-presidenciável intercedeu diretamente para que Emídio de Souza, tesoureiro até o ano passado, permanecesse na executiva nacional, mas ele foi barrado pela corrente interna Construindo Um Novo Brasil (CNB), que domina a burocracia partidária. Um de seus assessores diretos, o advogado Laio de Morais, também não conseguiu se viabilizar para ocupar um posto reservado para jovens com menos de 30 anos no diretório nacional.


Esse não foi o primeiro revés. Na metade do ano passado, quando o ex-presidente Lula ainda estava preso, o ex-ministro Luiz Dulci atuou junto à cúpula da sigla para que Haddad passasse a ter à disposição uma estrutura de trabalho que lhe permitisse fazer política. A ideia era montar um escritório e ampliar a sua assessoria, com direito a um carro com motorista. A presidente do PT, Gleisi Hoffmmann, deu o aval, mas a ideia nunca saiu do papel. O ex-presidenciável conta hoje só com dois assessores pagos pelo partido para administrar sua agenda, redes sociais e articulações políticas internas e externas.


Após a eleição, Haddad acertou com Lula que cuidaria de dois projetos para tentar dar ao PT as condições de enfrentar o bolsonarismo. O primeiro prevê uma reformulação completa da Fundação Perseu Abramo, braço teórico do PT, para transformá-la num think tank capaz de elaborar propostas para o país. O segundo trata de um plano para estruturar a forma de atuação do partido nas redes sociais.


Capital político


Os dois projetos foram concluídos e entregues, mas, segundo aliados, Haddad não tem convicção plena de que essas propostas serão implementadas em razão da forma como o partido está organizado. A avaliação do ex-presidenciável, de acordo com os mesmos interlocutores, é que o PT não tem feito gestos para manter o apoio dos eleitores que votaram contra Bolsonaro no segundo turno.


Com as dificuldades no PT, Haddad também tentou construir uma canal de atuação política fora da legenda. Em julho, estreou um programa semanal de entrevistas transmitido pelas redes sociais. A ideia era dialogar com setores da sociedade de dentro e de fora da esquerda. O ex-presidenciável chegou a entrevistar nomes como o economista Delfim Netto e o cineasta Fernando Meirelles, mas o canal não decolou. A página do programa no Youtube tem apenas 28 mil assinantes. Não serviu também para Haddad tentar a imagem de um político com capacidade de diálogo. Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB), dois seus adversários na corrida presidencial de 2018, recusaram o convite para serem entrevistados pelo petista.


Uma aliado de Haddad reconhece a perda de capital político do petista desde 2018. Ele faz uma analogia entre a quantidade de votos recebida e um tanque de combustível para dizer que dos 47 litros abastecidos na eleição,o ex-presidenciável hoje tem apenas 20. Essa quantidade não seria suficiente para garantir o posto de candidato presidencial de novo em 2022.


Diante desse cenário, até aliados antes refratários à ideia, começam a enxergar a entrada na disputa pela prefeitura de São Paulo como um caminho inevitável. A pressão nos bastidores se tornou pública no dia 19, quando Lula disse que “todo mundo gostaria que Haddad fosse candidato”. O ex-presidenciável, porém, rejeita a ideia com alegação de que precisa resolver pendências pessoais.

— Eu já conversei com os dirigentes, Lula, Gleisi e (Luiz) Marinho, sobre esse assunto e já coloquei minha posição de que não serei candidato a prefeito. E até onde eu sei estou sendo respeitado — afirmou Haddad.




(Sérgio Roxo)

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