Seleção usa quase três toneladas de equipamentos

May 28, 2016

Duas horas após o fim do treino da tarde da seleção brasileira na terça-feira, quase às 21 horas, um caminhão estaciona em frente ao hotel da concentração em Los Angeles. Os massagistas Marquinhos e Serginho e os roupeiros Ratinho e Manoel descarregam vários baús de metal. Pelas caretas que fazem, são pesados. Não é para menos. Na Copa América, são quase três toneladas de equipamentos, entre uniformes, bolas, alimentos, tudo o que uma equipe precisa para treinar.

 

É um trabalho quase invisível. Uma equipe de 22 pessoas, formada por roupeiros, massagistas, seguranças, assessores de comunicação e administradores logísticos, cozinheiros, chefs de cozinha, atua nos bastidores só para fazer a seleção brasileira entrar em campo.

 

O trabalho é técnico, mas dá uma cara para a seleção. Por exemplo, a cúpula da CBF quer aproximar os jogadores dos torcedores. Por isso, definiu a saída do grupo pelo saguão em todos os hotéis, evitando entradas exclusivas, sem acesso público. Com isso, a segurança tem de se virar para fazer dar certo. Na Copa América, são sete seguranças fixos, além de uma empresa terceirizada e a força pública. "Nunca tivemos problemas sérios", diz Aloísio Oliveira, chefe de segurança. 

 

A comissão técnica avaliou também que os grandes hotéis dificultavam a integração entre os jogadores nos períodos de concentração. Aí, a equipe de logística foi buscar o Hotel Belamar, aconchegante, estiloso, mas pequeno, com apenas 127 quartos – os jogadores têm andares exclusivos.  Como roupeiros e massagistas são cedidos pelos clubes e não fazem parte do grupo de funcionários, eles recebem uma cartão de convocação. Tudo isso é motivo de orgulho. 

 

Quando Serginho, massagista do Palmeiras, fez sua primeira viagem com a seleção, para Miami, em partida contra a Colômbia, ele pediu para ser beliscado por Gilmar Rinaldi, coordenador de seleções. Queria acreditar que aquilo era verdade e que ele não estava sonhando. Manoel, roupeiro do Fluminense, pensou que fosse um trote quando recebeu uma ligação de Gilmar. Por pouco recusou-se a atender o telefone. 

 

As atividades são feitas de acordo com um protocolo com tudo o que tem de ser feito, hora a hora. Cada área tem uma check-list de mais ou menos 40 itens. Um atraso pode representar uma reação em cadeia. "Se muda o horário do treino, muda também o horário da refeição. Aí é preciso consultar o médico e a nutricionista, além do chefe (Gilmar Rinaldi), o preparador físico e treinador", afirma o administrador Luis Vagner Vivian. "A gente faz check-list em cima de check-list, planejando e confirmando para ver se tudo certo", completa. 

 

Antes de os jogadores se apresentarem, eles olham os mínimos detalhes, como adaptador de tomada, senha da internet, chave da porta e a segurança inspeciona andares e os quartos. Quando o jogador chega, a roupa dele está lá, no pé da cama, no tamanho certo, com a programação das atividades e até o tipo de uniforme que será usado.

 

Na Copa América, eles estão comendo as refeições do hotel sob a supervisão do chef da seleção. O cardápio foi previamente montado pela nutricionista e pelo médico da equipe.  "O resultado final da partida define o trabalho. Se o time perder, a gente sente como se alguma coisa não tivesse sido bem-feita", diz Luis Vagner.

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