Cesare Battisti é levado para delegacia da PF em Corumbá

October 4, 2017

 

O italiano Cesare Battisti foi levado para a delegacia da Polícia Federal (PF) em Corumbá  nesta quarta-feira (4). A cidade faz fronteira com a Bolívia. A PF ainda não informou o motivo de ele estar na delegacia.

 

Segundo informações preliminares, Battisti foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) no posto Guaicurus, na BR-262. Os policiais o identificaram e constataram que ele possuía em dinheiro o equivalente a mais de R$ 10 mil – não foi especificado o valor exato que ele portava mas o dinheiro estaria em cédulas de doláres e euros.

 

De acordo com a Receita Federal, qualquer pessoa que esteja cruzando a fronteira do Brasil com mais de R$ 10 mil em espécie, seja em moeda nacional ou estrangeira, precisa fazer uma declaração chamada "Bens de Viajantes".

 

A PRF teria alertado a PF sobre a situação de Battisti no posto de fiscalização Esdras, entre o Brasil e a Bolívia, já que ele não poderia ingressar no país vizinho sem declarar esse valor em dinheiro. A retenção de Battisti teria ocorrido então pela PF na fronteira com a Bolívia.

 

Caso Battisti

 

O ex-ativista de esquerda Cesare Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália em 1993 sob a acusação de ter cometido quatro assassinatos no país nos anos 1970. Ele era membro do grupo Proletários Armados para o Comunismo (PAC).

 

Battisti então fugiu para a França, onde viveu por alguns anos, e chegou ao Brasil em 2004. O ex-ativista foi preso no Rio de Janeiro em 2007 e, dois anos depois, o então ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu a ele refúgio político.

 

A Itália recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a concessão de refúgio para Battisti e pediu a extradição dele de volta ao país.

 

No julgamento realizado em fevereiro de 2009, os ministros negaram o pedido de liminar do governo italiano contra a decisão de conceder refúgio a Battisti, mas votaram pela extradição do ex-ativista. Entretanto, por 5 votos a 4, o STF definiu que a palavra final sobre a extradição caberia ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Em 31 de dezembro de 2010, no último dia de seu governo, Lula recusou a extradição de Battisti.

 

Neste ano, o governo da Itália apresentou um pedido para que o Brasil reveja a decisão do ex-presidente Lula. O governo italiano considera o caso Battisti "uma questão aberta" com o Brasil e tem esperança de que Michel Temer cogite rever a recusa da extradição, afirmou ao G1 uma fonte que acompanha as discussões com as autoridades do governo federal.

 

O Planalto nega que esteja reavaliando a permanência de Battisti no Brasil. A assessoria da Presidência da República afirmou que Temer "não está analisando o caso", e o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que "não tratamos desse assunto".

 

No fim de setembro, os advogados de Battisti entraram com um pedido no STF para impedir a possibilidade de Temer decidir extraditá-lo.

 

O italiano nega envolvimento nos homicídios e se diz vítima de perseguição política. Em entrevista em 2014 ao programa Diálogos, de Mario Sergio Conti, na GloboNews, ele afirmou que "nunca" matou “ninguém”.

 

 

(G1)

Please reload

RSS Feed