Militares da nova e velha geração preferem que Bolsonaro “pare de falar” na ditadura

August 9, 2019

 

Passados 55 anos do golpe de 1964, oficiais da ativa e da reserva não têm opinião unânime sobre as ações do presidente que defendem o período militar, que se estendeu até 1985. Mesmo entre aqueles que apoiam os movimentos – como o almoço oferecido nesta quinta a Maria Joseíta, viúva do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra – Bolsonaro divide opiniões.

 

Embora quase todos os militares ouvidos concordem com os questionamentos do presidente Jair Bolsonaro sobre os documentos produzidos pela Comissão da Verdade, e também endossem a defesa permanente que faz de Ustra –único brasileiro reconhecido como torturador pela Justiça – muitos discordam do momento escolhido para essas ações.

 

“Ele não tem nenhum carinho pelos pés. A todo o momento dá um tiro neles”, ironiza o general da reserva Paulo Chagas, acrescentando: “A maior parte dos militares, na reserva, na ativa, apoiou Bolsonaro. Mas esperamos que ele seja mais comedido e que consiga dominar seus impulsos”.

 

Como “impulsos”, esses militares classificam os constantes atritos em que Bolsonaro se envolve, seja nas entrevistas, nos discursos em que, dizem eles, não pensa no peso que tem as declarações do presidente da República.

 

Ustra e Bolsonaro: o que pensam militares da nova e a velha geração

 

Outros oficiais da reserva compartilham dessa opinião. Quase todos eram jovens em 64 e presenciaram, ainda que a distância, a ação que culminou com a queda do então presidente João Goulart. Muitos eram capitães ou tenentes na época em que grupos de esquerda aderiram à luta armada e, em resposta, o regime passou a prender, torturar e matar muitos desses também jovens. Porém, os próprios militares acreditam que a esta altura não é possível reescrever uma história que já aconteceu.

 

Já entre os oficiais das novas gerações, apesar de concordarem com as críticas do presidente à Comissão da Verdade e tampouco criticarem Ustra, alguns dizem não ver sentido na insistência de Bolsonaro em trazer temas da ditadura de volta.

 

 

 

(Monica Gugliano)

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